22
Jan 08
Acordei uns dias depois… ainda não conseguia abrir bem os olhos, tinha estado 4 dias em coma. Não tinha completamente a noção de onde estava. Encontrava-me numa cama, mas nem isso, eu tinha percebido. Não sabia o que me tinha acontecido. Lembro-me que todas as noites, chamava pelos meus pais, ao Domingo de manhã gritava de leve: “Zeca, levanta-te, temos que ir à missa”, o Zeca é um dos meus 11 irmãos, que não saia daqui, mas é aquele com quem me dou melhor. Só mais tarde, é que vim a saber que estava num hospital, não porque me tivessem dito, mas sim porque nos lençóis da minha cama encontrava-se escrita a seguinte frase: «HOSPITAL SÃO JOÃO – PORTO». Foi um choque quando descobri, pois nem assim conseguia lembrar-me do que me tinha acontecido. Certo dia ganha coragem e perguntei ao me Pai o que estava ali a fazer, mas não obtive a resposta que esperava, «não penses nisso agora filho, mais tarde ou mais cedo sairás daqui e saberás o que te aconteceu, mas por enquanto descansa» disse o meu pai. Percebi que ele não me queria preocupar, mas talvez eu preferisse saber o que se tinha passado. Todas as noites, tinha um pesadelo diferente, mas sempre relacionado com o que me levou a estar completamente preso naquele hospital, no primeiro pesadelo tinha levado um tiro, no segundo tinha caído de um prédio de 5 andares… Acho que estava a começar a não raciocinar bem, já não aguentava mais. Finalmente tinha chegado o dia, o médico ia dar-me alta, ía sair daquele cubículo e ia saber o que me tinha acontecido. Não estava completamente curado, pois ainda tive de andar de muletas durante 9 meses. Cheguei a casa, dirigi-me para o meu quarto e deitei-me, pois tinha muitas dores na perna. Passados 5 minutos, «pum-pum» estavam a bater à porta, «entre» disse. Era o meu pai, queria falar comigo sobre o que tinha acontecido. «Bom…parece que chegou a hora de saberes tudo…tu foste parar ao hospital porque…tiveste um acidente muito grave de moto, podias não ter sobrevivido…não imaginas o medo que eu e tua mãe tivemos, de te perder.» Pensei em todos os pesadelos que tinha tido, mas em nenhum constava um acidente de moto. Acho que o meu pai acabou por sair do quarto sem ouvir uma única palavra minha. Deve ter percebido que eu precisava de descansar e de pensar na minha vida. Já lá vão 33 anos, mas a minha vida nunca mais foi a mesma. Neste momento encontro-me casado à 26 anos e tenho duas filhas, uma com 13 anos, ainda estudante, e outra com 23, que se vai casar ainda este ano. Admito que tenho atitudes que ninguém percebe, mas que para mim fazem todo o sentido. Talvez seja um pouco exigente com a minha mulher e as minhas filhas, mas eu só sou assim porque me preocupo muito com elas, porque elas são a minha vida. Amo-vos.

O que acham dos meus posts.... :D:
Gostei, Dulce, embora este texto tenha pequenas incorrecções e uma intriga um pouco mais artificial. Apesar de tudo revelas vais revelando uma maturidade e segurança de expressão muito interessantes. Parabéns.

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